Casos confirmados de calazar em cães aumentam nas áreas urbana e rural de Santarém

Desde Janeiro de 2016 a junho de 2019 foram realizados 13.176 testes sanguíneos e 22,29% deram positivo para a doença. Em 2019, um caso de calazar em humano já foi registrado.

O número de casos confirmados de calazar em cães (Leishmaniose visceral) tem preocupado a Divisão de Saúde de Santarém (Divisa), no oeste do Pará. Nos últimos três anos o índice tem aumentado nas zonas urbana e rural do município. A doença é contagiosa e pode ser transmitida a humanos por picada de mosquito..

Conforme dados do Centro de Controle de Zoonoses do município (CCZ), desde janeiro de 2016 até junho de 2019 foram contabilizados 13.176 testes sanguíneos nas áreas urbana e rural, sendo que desse total 22,29% deram positivos para a doença. A porcentagem representa 2.938 animais infectados.

De acordo com o CCZ, na área rural a situação também é preocupante visto que o índice de confirmações também é alto. em 2018, foram feitas 1.985 coletas para exames e 533 deram positivos. Em 2019, os números são 766 e 173, respectivamente.

As comunidades com mais registros ano passado são: Vila Gorete (14), Ponte Alta (7), Capixauã (5), Planalto e São Pedro (3 cada). Em 2019, apenas cinco casos de calazar foram confirmados: Cipoal (2), São Pedro (2) e Santa Maria (1).

“Constata-se nesses dados que a incidência do calazar canino é ascendente se vermos pelos anos. É um crescimento significativo galopante e há necessidades de providências por parte do poder público e principalmente pelos proprietários”, disse João Alberto Coelho, coordenador da Divisa.

A recomendação é que cães sejam submetidos a exames periodicamente a cada ano no CCZ ou em clínicas particulares.

Também já foram registrados três casos de calazar em humanos na região oeste do Pará, nos municípios de Monte Alegre, Belterra e Santarém – no bairro Amparo.

Apesar de grave, a Leishmaniose Visceral tem tratamento para os humanos. Ele é gratuito e está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a LV não eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos cães.

Eutanásia e recusas

Apesar de ter dados alarmantes e que colocam em risco a saúde pública, há muitos casos em que os donos dos animais se recusam a entregá-lo aos órgãos de controle de zoonoses.

 

Conforme o Ministério da Saúde, nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém eles continuam como fontes de infecção para o vetor, e, portanto um risco para saúde da população humana e canina.

 

Neste caso, eutanásia é recomendada como uma das formas de controle da Leishmaniose Visceral, mas deve ser realizada de forma integrada às demais ações recomendadas pelo próprio Ministério.

 

Dados do CCZ revelam que nos últimos três foram feitas 1.343 eutanásias de animais da área urbana e 1.378 da área rural, todos com casos confirmados da doença. O quantitativo de donos que se recusaram a entregar os animais mesmo com diagnóstico positivo é de 217 nas ruas áreas do município.

Leishmaniose Visceral

A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença causada por um protozoário da espécie Leishmania chagasi. O ciclo evolutivo apresenta duas formas: amastigota, que é obrigatoriamente parasita intracelular em mamíferos, e promastigota, presente no tubo digestivo do inseto transmissor. É conhecida como calazar, esplenomegalia tropical e febre dundun.

A doença é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se não tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. É transmitida ao homem pela picada de fêmeas do inseto vetor infectado, denominado flebotomíneo e conhecido popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. No Brasil, a principal espécie responsável pela transmissão é a Lutzomyia longipalpis.

Sintomas

Febre de longa duração;

aumento do fígado e baço;

perda de peso;

fraqueza;

redução da força muscular;

anemia

Como prevenir a Leishmaniose Visceral?

A prevenção da Leishmaniose Visceral ocorre por meio do combate ao inseto transmissor. É possível mantê-lo longe, especialmente com o apoio da população, no que diz respeito à higiene ambiental. Essa limpeza deve ser feita por meio de:

Limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem).

Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos.

Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de animais domésticos distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos flebotomíneos para dentro do domicílio.

Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 4,4), moderada (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de leishmaniose visceral.

 

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