Monitoria do tratamento da LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA

A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma doença provocada pelo protozoário Leishmania chagasi, transmitido através da picada do mosquito Lutzomyia longipalpis que esteja contaminado, esta é uma doença que tem uma grande incidência nos cães domésticos, porém, em alguns casos pode acometer o homem, e isto é motivo de pesquisa em várias partes do mundo com várias tentativas terapêuticas. O tratamento canino não obtém em geral a cura, mas pode oferecer uma boa qualidade de vida e maior longevidade aos animais afetados. Este procedimento exige dos proprietários dos cães um compromisso de cuidados especiais com os animais infectados e também do ambiente onde vivem. A OMS recomenda a eutanásia dos cães infectados, porém na maioria dos países se reserva cada vez mais para casos especiais, pois a maioria dos veterinários preferem administrar um tratamento anti-leishmaniótico, acompanhando atentamente os sinais clínicos dos animais. O tratamento visa a melhora clínica das manifestações apresentadas, redução da carga parasitária, reestabelecimento da resposta imune celular controladora da infecção e o bloqueio da transmissão para os flebotomíneos. Os animais submetidos ao tratamento devem ser controlados a cada 3 ou 4  meses, através da avaliação clínica, sorológica para detecção de anticorpos anti-Leishmania, avaliação bioquímica sérica, hemograma completo, proteinograma e quando possível pesquisas de parasitos ( PCR RT quantitativo ) . A Miltefosina não vem sendo utilizada no Brasil para o tratamento da Leishmaniose Visceral Humana, por apresentar resultados insignificantes, abrindo assim uma brecha para a utilização da mesma para o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina.

LIBERAÇÃO DA MILTEFOSINA NO BRASIL

Foi proposto ao MAPA e ao MS um ensaio clínico para avaliar à eficácia terapêutica da Miltefosina (MilteforanÒ) em cães infectados, avaliando principalmente à melhora clínica, redução da carga parasitária e principalmente o bloqueio da transmissão. Este estudo foi aprovado pelos órgãos competentes e teve início em 2013, na cidade de Andradina.

Os resultados demonstraram que a Miltefosina promove uma melhora clínica significante, intensa redução da carga parasitária (comprovada pela citologia e PCR-RT de medula óssea e linfonodo) e diminuição da infectividade (comprovada pelo Xenodiagnóstico e pelo PCR-RT de pele), bloqueando assim a transmissão. Em agosto de 2016, a droga foi liberada. “A portaria interministerial ANVISA-MAPA 1426 de 07/11/2008. O produto será vendido como uma substância controlada, de acordo com a norma IN 25 / MAPA. Para sua aquisição, toda a cadeia de comercialização deve ser totalmente regulamentada de acordo com o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agrícolas (SIPEAGRO), no Ministério da Agricultura.

MONITORIZAÇÃO DURANTE E APÓS O TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE CANINA

Recomendado monitorização dos parâmetros clinico-patológicos e sorologia antes e após tratamento.

Parâmetros Frequência
História clínica e exame físico completo. Exames laboratoriais de rotina: Hemograma completo, perfil bioquímico, eletroforese sérica (ou Proteínas totais e frações) e análise de urina completa incluindo Relação proteína/creatinina urinária em cães proteinúricosApós primeiro mês de tratamento e depois a cada 3-4 meses durante o primeiro ano. Mais tarde, em um cão totalmente recuperado clinicamente com o tratamento, um re-check up seria recomendado a cada 6 meses.  
Sorologia (ELISA + RIFI com DILUIÇÃO TOTAL ) Não antes de 4 meses após o tratamento inicial e a cada 4-6 meses.  
PCR Real Time QuantitativoPode ser realizada ao mesmo tempo que a sorologia. Irá monitorar a carga parasitaria circulante. Pode ser feito logo após o tratamento para verificar diminuição da carga parasitária .

Alguns cães apresentam uma diminuição significativa nos níveis de anticorpos (mais do que uma diferença de dupla diluição entre o primeiro e o seguinte amostras) associado com melhora clínica dentro de 6 meses a 1 ano de tratamento.

CÓDIGOEXAMEAMOSTRAPRAZO(dias)
83LEISMANIOSE CANINA (ELISA + RIFI)2 ml de sangue total colhido em tudo de tampa vermelha.01
447LEISHMANIOSE CANINA DILUIÇÃO TOTAL2 ml de sangue total colhido em tudo de tampa vermelha.02
483LEISHMANIA CHAGASI – METODO PCR REAL TIME QUALITATIVOMedula óssea ou sangue total em tubo de EDTA.05
680LEISHMANIA CHAGASI – METODO PCR REAL TIME QUANTITATIVOMedula óssea ou sangue total em tubo de EDTA.05
316PERFIL COMPLEMENTAR PARA LEISHMANIOSESangue total colhido em tubo de EDTA e tudo de tampa vermelha.01
408PESQUISA DE LEISHMANIA SP.Lâminas com esfregaços de medula óssea ou linfonodos reativos04
456LEISHMANIOSE – MÉTODO IMUNO-HISTOQUÍMICAFragmento de pele, linfonodo ou baço em formol a 10%06
324PERFIL BIOQUIMICO3 ml de sangue total em tubo de tampa vermelha.01
570PERFIL CHECK UP DE FUNÇÕESSangue total colhido em tubo de tampa cinza e tampa vermelha01

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Solano-Gallego et al. LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis. Parasites & Vectors 2011, 4:86.

Nogueira, FS. Avaliação Clínico-Laboratorial de cães naturalmente infectados por Leishmaniose Visceral, submetidos à terapia com Anfotericina B. [Tese]. Botucatu: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista; 2007.

Jericó et al. Tratado de Medicina Interna de Pequenos Animais. Ed Roca, 2015, p. 718-733

Milteforan – monografia do produto.

REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353Ano X – Número 19 – Julho de 2012 – Periódicos Semestral – Leishmaniose Visceral Canina – Revisão de Literatura. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/QKOIwlDa047cxSZ_2013-6-24-15-1-25.pdf

Faculdade de Medicina Veterinária: Universidad Complutense de Madrid

Disponível em: http://www.leishvet.org/wp-content/uploads/2016/05/LeishVet-2edition.pdf

VetsCience – Leishmaniose Visceral – O papel do Laboratório veterinário no diagnóstico – edição 11.

REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353Ano VI – Némero 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral – Controle e Tratamento da Leishmaniose Visceral Canina. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/filaqiOy9mWp4ki_2013-5-29-10-36-13.pdf

NOVOS DESAFIOS NA QUALIDADE DE VIDA DOS ANIMAIS INFECTADOS POR LEISHMANIOSE VISCERAL – USO DA MILTEFOSINA – Mv. Fábio dos Santos Nogueira.

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