OCORRÊNCIA DE LEISHMANIA SP EM GATOS

INTRODUÇÃO

Apesar dos relatos da ocorrência de leishmaniose visceral em felinos, a literatura é muito escassa no que diz respeito à pesquisa de Leishmania chagassi em animais de áreas endêmicas, sendo possível que infecções em gatos sejam relativamente comuns em algumas dessas regiões. Acredita-se que gatos infectados possuam certo grau de resistência natural à doença, provavelmente relacionada à fatores genéticos. Apesar da ocorrência de infecções esporádicas, os felinos não são considerados, até o momento, um reservatório importante da doença, havendo poucas informações quanto ao potencial desses animais servirem como reservatórios. Também são pouco conhecidas a prevalência, a transmissão e o quadro clínico da enfermidade nessa espécie. A primeira referência a leishmaniose felina no ano de 1756, quando Russel, no relatório de sua viagem à cidade de Aleppo, na Síria, descreveu que, além do homem e dos cães, os gatos eram acometidos pela doença. Casos esporádicos da enfermidade foram descritos a partir do século XX, notadamente nos países onde a infecção por Leishmania sp. é endêmica. A primeira descrição de leishmaniose felina (LF) no mundo, ocorreu em 1927, aproximadamente 2 séculos depois de Russel. Atualmente, apesar de ser considerada rara, tem apresentado um aumento significativo no número de casos relatados em todo o mundo. Cerca de 30 casos foram reportados, sendo que 11 deles tiveram origem na América do Sul, dos quais 10 foram diagnosticados no Brasil. O aumento destes relatos possivelmente foi favorecido pelo avanço nas técnicas de diagnóstico bem como a maior preocupação com a saúde dos animais de companhia, principalmente em países desenvolvidos. Praticamente, as mesmas técnicas utilizadas para evidenciar a presença do parasito e/ou anticorpos contra eles utilizadas no diagnóstico da enfermidade em cães são aplicáveis aos felinos. No entanto, a LF é ainda pouco estudada em vários aspectos, incluindo prevalência, manifestações clínicas, transmissão do parasita ao vetor e espécies dos protozoários envolvidos. Além disso, há pouca informação sobre a real susceptibilidade e importância dos gatos na transmissão de Leishmania sp. Todos estes fortes indícios confirmam que a LF não é uma patologia comum, principalmente por não entrar nos diagnósticos diferenciais durante a realização de um atendimento no dia a dia da clínica de pequenos animais. Alguns trabalhos publicados discorrem sobre a infecção de gatos domésticos por Leishmania sp, incluindo relatos de casos clínicos e inquéritos epidemiológicos, bem como infecção experimental, atratividade e preferência alimentar de alguns flebotomíneos com relação aos gatos. Em um trabalho realizado em Araçatuba/SP (Claudio Nazaretian Rossi e colaboradores), foram colhidas amostras de soro de 200 gatos, encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses, para análise sorológica e também realizadas biópsias aspirativas de linfonodo, medula óssea, baço e fígado, utilizados para a pesquisa direta de formas amastigotas de Leishmania sp através de exame citológico. A prevalência da doença nessa população de gatos foi de 6,5%. Dos 200 animais avaliados, oito (4,0%) apresentaram resultado parasitológico positivo, seis (3,0%) apresentaram títulos sorológicos acima do ponto de corte pela técnica de ELISA e um (0,5%) evidenciou título superior ao ponto de corte (1:40) pela RIFI, totalizando 13 gatos considerados positivos.

SINAIS CLÍNICOS

O quadro clínico na leishmaniose felina é inespecífico e se assemelha ao quadro clínico observado na espécie canina, dificultando o diagnóstico. Sinais como depressão, anorexia, emaciação, estomatite, gengivite, êmese, diarréia, hipertermia, desidratação, hepatomegalia, linfoadenomegalia local ou generalizada, lesões cutâneas, dermatite seborreica úlcero-crostosa, alopecia difusa, uveíte e atrofia da musculatura temporal já foram descritos como formas de apresentação da leishmaniose visceral em gatos, mas na grande maioria dos casos, se apresentam na forma de lesões cutâneas ulceradas e nódulos presentes na face, orelha, focinho (figura 1) e patas. São similares àqueles observados em outras doenças comuns em gatos como criptococose e esporotricose, tornando-se então um diagnóstico diferencial de grande importância. Eventualmente a doença pode assumir uma forma aguda típica e o animal evolui para o óbito em poucas semanas. As alterações hematológicas e bioquímicas encontradas em gatos doentes são similares às descritas para a espécie canina.

Fig. 1:Leishmaniose cutânea em um felino – lesão no focinho (A) e orelha (B).
Fonte:Retirado do trabalho de SOUZA e colaboradores.

DIAGNÓSTICO

As alterações hematológicas e bioquímicas encontradas em gatos doentes são similares às descritas para a espécie canina. Os principais métodos sorológicos utilizados para diagnóstico têm sido as técnicas de ELISA e RIFI. É possível também a visualização direta das formas amastigotas em exames citológicos confeccionados a partir de amostras provenientes de lesões (figura 2.). Da mesma forma que a soroprevalência canina, a felina pode variar sensivelmente de acordo com a metodologia utilizada (amostragem, técnica sorológica e ponto de corte adotado) e com a região geográfica estudada. Além disso, os gatos podem ser mais refratários que os cães à infecção por Leishmania sp. Evidências apontam que a leishmaniose felina pode estar associada a doenças imunossupressoras, em alguns estudos a presença de infecção por Leishmania sp. têm sido correlacionada com soroposititividade para FIV e/ou FeLV.

Fig. 2 –  Formas amastigotas extra e intracelulares em citologia de lesões de um felino infectado.
Fonte: Retirado do trabalho de SOUZA e colaboradores.

Para o diagnóstico da Leishmaniose Felina e diagnóstico diferencial, o TECSA laboratórios oferece a seus clientes as seguintes análises, indicando o material a ser coletado para cada uma delas:

EXAMECÓDIGOAMOSTRAPRAZO(dias)
PERFIL CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES570Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante e plasma colhido em tubo com fluoreto01
HEMOGRAMA COMPLETO44Sangue colhido em tubo de tampa roxa com EDTA00
PERFIL FELINOS – TRIAGEM679Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante e com EDTA02
LEISHMANIOSE FELINA  (ELISA + RIFI)290Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante02
IMUNOHISTOQUÍMICA PARA LEISHMANIOSE456Fragmento de tecido em formol a 10%05
PESQUISA DE LEISHMANIOSE408Lâminas de punção de linfonodos reativos, medula óssea ou baço;imprint de lesão ulcerada em lâmina.03
LEISHMANIA CHAGASI – MÉTODO PCR REAL TIME QUALITATIVO483Sangue total colhido em tubo de tampa roxa (EDTA) ou Punção de medula óssea em EDTA05
PESQUISA DE SPOROTRIX SCHENKII451Swab ou imprint de lesão ulcerada em lâmina02
CULTURA DE FUNGOS255Raspado de pele, pêlos e secreções12
FIV – IMUNODEFICIENCIA FELINA274Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante01
FELV – LEUCEMIA FELINA371Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante01
FIV / FELV – LEUCEMIA E IMUNODEFICIENCIA FELINA271Sangue total colhido em tubo sem anticoagulante01
PERFIL FIV E FELV – PCR REAL TIME -QUALITATIVO823Sangue total colhido em tubo com EDTA05

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